Daniel Faria

Website pessoal

Software Livre nas repartições públicas

16/09/2019

Vou começar explicando parte do título deste artigo: Software Livre.

O movimento do software livre é um movimento social que prega a liberdade dos usuários em utilizar programas sem a necessidade de pagar licenças. Mais do que isso, é a liberdade de obter o código fonte do programa e modificá-lo, adicionar novas funções e redistribuir o programa para outros usuários. Tudo isso sem a necessidade de "crackear" o programa ou ter que comprar um serial. O software livre não visa lucro, porém, se um usuário quiser cobrar por seu serviço, tem essa opção. Em um produto de software pago

As vantagens de utilizar softwares livres no dia a dia são várias:

  • Não é necessário pagar licença;
  • É mais seguro, pois é mantido por programadores do mundo todo;
  • Fazem praticamente o mesmo serviço dos programas pagos;
  • Pode ser usado em quantos computadores quiser usar.

Os softwares livres são responsáveis pela popularização de muitos produtos e serviços que usamos em nossa vida. O Android, sistema mais popular entre os donos de celulares, é um sistema baseado em Linux, um sistema operacional livre criado por Linus Torlvads, na Finlândia, em 1991. Além disso, muitos aplicativos e serviços de rede são softwares livres, o que torna sua implementação menos custosa tanto para micro e pequenos empresários, quanto para grandes empresas que querem reduzir custos com licenças de programas.

No Brasil, desde 2003 o Governo Federal tem incentivado o uso de softwares livres nas instituições com formato aberto de arquivos. Nas licitações o Governo alerta para que seja observada a preferência por esse tipo de programa. 

A resistência em utilizar softwares livres

Um dos pontos mais discutidos na utilização de sofwares livres é a inadequação deles em determinados casos. Na área do design gráfico, existe uma dominância dos programas da Adobe, empresa responsável pelo famoso Photoshop, pela Creative Suíte e pelo programa de edição de vídeo Adobe Premiere. Na opinião de profissionais do ramo, as alternativas livres não estão à altura dos softwares pagos. Entretanto, empresas como a Marvel Studios, responsável pelos filmes dos Vingadores, utilizam soluções livres em seus filmes, como foi dito neste vídeo por Thomas Murphy. Quando a comparação dos usuários se dá entre os porgramas LibreOffice Writer e Microsoft Office Word, a resistência é ainda maior, levando em conta que o Word é o editor de textos padrão do mercado. Mas seu equivalente livre tem sido adotado por diversas empresas no mercado com alternativa ao pacote pago. 

Tela do Microsoft Word

 

Tela do LibreOffice Writer

 

É compreensível que usuários que estão acostumados a usar os programas do Windows econterem dificuldades em se adaptar a novos programas, inclusive com interface diferente. Essa transição é menos sofrida para usuários mais avançados de computador. Cabe então à equipe de Tecnologia da Informação da empresa fazer o trabalho de implantar o uso desses programas, evangelizando os usuários a utilizá-los no dia-a-dia do trabalho.

O modelo do software livre

O Brasil ainda está na contramão desse movimento, muito embora existam grupos bem fortes no sentido de divulgar o software livre. Países como Alemanha, França e Espanha adotaram cada vez mais softwares livres na administração pública. É um modelo baseado mais em suporte e entrega de serviços do que a simples compra de uma solução de software. 

É um modelo que já se mostrou triunfante no que toca a segurança e robustez das aplicações e na entrega de serviços. O Governo, ao fazer a adoção de softwares livres nas repartições mostraria ao cidadão uma preocupação em não gastar dinheiro público em programas que podem ser substituídos por boas soluções gratuitas.

Já você, é você mesmo, o usuário! Não vou aqui te dizer, use software livre! Talvez até você já faça uso e ainda não sabe.